segunda-feira, 21 de maio de 2012

“ - Porque a igualdade formal e informal entre mulheres e homens, é um direito fundamental da Pessoa Humana.

- Porque as mulheres representam mais de metade da população e a democracia impõe a paridade da representação e administração das nações.

- Porque as mulheres representam metade dos talentos e qualificações potenciais da humanidade e porque a sua subrepresentação nos postos de decisão constitui uma perda para a humanidade no seu conjunto.

- Porque uma participação equilibrada de mulheres e de homens na tomada de decisão é suscetível de criar ideias, valores e comportamentos diferentes, no sentido de um mundo mais justo e equilibrado tanto para as mulheres como para os homens.
Porque a subrepresentação das mulheres nos postos de decisão não permite que sejam plenamente tomados em consideração os interesses e necessidades do conjunto da população.”

(UNESCO, 1993)

À conversa com a Deputada Mariana Aiveca

Na passada quinta-feira, dia 17, estive à conversa com a Deputada Mariana Aiveca, cerca de 2 horas de conversa, convocada pelo “Papel da Mulher na Democracia”.  Uma análise na primeira pessoa, sobre o percurso da mulher na dimensão democrática, como mulher Politica, a mulher Social, como Mulher, metade de um Estado.

Deixo-vos um pequeno trecho da nossa conversa:

“...continuo a fazer a sopa, a lavar o carro, pinto paredes (…) as pessoas onde moro, ainda no ano passado me viram a fazer obras de pedreiro…”

“…A minha forma de ser, de coabitar com pessoas que não pensam como eu, e de ir fazendo vingar as minhas opinião pela demostração de argumentos e atitudes, porque mais importante que argumentos são as atitudes, permitiu que toda família me reconhece, como eu sou, sempre muito contestatária, sempre dando-me como exemplo...”

“…O tempo é uma coisa que temos sempre para tudo, ele depende do nosso querer… eu sinto alguma vaidade no meu percurso, sinto alguma vaidade na minha forma de gerir, trabalhei sempre muito com a maior alegria para fazer vingar as minhas convicções, e sempre me fez muita confusão algumas pessoas, quando dizerem que não tempo para o ativismo, porque tem filhos para criar, etc…”

“ …Os meus filhos desde cedo perceberam, com naturalidade que à noite, a mãe tinha uma reunião….”

”…Vamos fazer os trabalhos da escola, tomar balho, porque depois de jantar a mãe, vai ter uma reunião muito importante, porque vai ajudar pessoas, que estão a precisar de muita ajuda, porque a fabrica delas fechou, e mãe pode de alguma forma ajudar essas pessoas explicando-lhes o que devem fazer, porque só faz sentido saber que existe uma lei se a poder-mos explicar, ajudando outros.”

A entrevista completa será publicada na integra, aqui no meu blogue, logo após a apresentação oficial deste projeto a 30 de Maio, podem saber mais sobre este trabalho em:

Cumpre-me aqui reafirmar, o meu profundo agradecimento, a esta nossa ente-representante na Assembleia da Republica, que longe da esfera estritamente politica, e no seio de uma verdadeira esquizofrenia logística, se prontificou desde a primeira hora na colaboração neste projeto.

M | Ribeiro Henriques

“Há ideias e factos, que são portadores de futuro”

|Coimbra, 21/05/2012|

terça-feira, 15 de maio de 2012


Na próxima quinta feira dia 17, vou estar à conversa com a deputada Mariana Aiveca, onde a "Mulher" assumirá o mote, para uma conversa que se pretende, aberta, esclarecida e muito informal!

Isabel Alçada, é a próxima entrevistada!"A Mulher e seu Papel na Democracia" é o nome do projecto.

Desta feita pretendo reunir; os Elementos chave, os Intervinientes, e as suas Histórias, no final pretende-se uma amostra da evolução no papel da Mulher no seio da construção democrática, e a sua intervenção na coisa pública!

Como não poderia deixar de ser, continuamos a falar de Igualdade! 
Bem Hajam

M | Ribeiro Henriques


“Há ideias e factos, que são portadores de futuro”
|Coimbra, 15/05/2012|

sábado, 21 de abril de 2012



Quando falamos numa família homoparental estamos desde logo a entrar por 
uma via que, à partida, parece contrariar a própria noção de família, assente numa forte distinção de género, a que correspondem simbolicamente algumas atribuições: os papéis de mãe/mulher e de pai/homem. Se é certo que, aparentemente, estas distinções tendem a estar cada vez mais esbatidas, e que se espera que a responsabilidade na educação dos filhos seja dividida por igual entre os pais, continua a dar-se uma enorme importância às distinções de género no seio da família, consideradas como referências fundamentais.  

As distinções de que falamos pressupõem que a mulher é mãe e o homem pai, e que os dois coexistem numa relação parental (mesmo se uma das partes nunca participou de facto nesta relação) e esta é normalmente vista como a única e natural possibilidade numa relação que é, apesar de tudo, socialmente construída. 

A ideia de que para se ser pai é necessário ser-se homem está ligada àquela outra defendida por David Blankenhorn, autor do livro Fatherless América (1995) que causou um enorme debate ao afirmar que a própria masculinidade só se atinge plenamente com a paternidade: 

"A paternidade, mais do que qualquer outra actividade masculina, ajuda os homens a tornarem-se bons homens: mais propensos a obedecer às leis, a ser bons cidadãos, a pensar nas necessidades dos outros". (p.21 – tradução minha) 
   
É certo que, para o autor, esta paternidade benévola é apanágio exclusivo dos 
pais biológicos ou adoptivos, sendo os padrastos excluídos desta propensão para o bem. Também na equação subjacente a este argumento existe a mãe/mulher, cuja presença é fundamental e necessária à existência deste pai/homem.

Para lá do interesse em defender os valores da família tradicional americana, o autor está empenhado em reforçar, através da família, as distinções de género, absolutamente necessárias à conservação destes valores.  

Quando se fala em famílias homoparentais esta lógica familiar fica desde logo ameaçada e com ela o futuro da família pensada nestes termos. As justificações para a não-aceitação das famílias homoparentais são frequentemente as de que se trata de uma situação anormal, desviante, em que as crianças vão crescer confusas, destituídas de valores morais, em que serão provavelmente recrutadas para a homossexualidade. Esta ideia pode manifestar-se de várias formas  e quase sempre é expressa em favor do “superior interesse da criança”.

Em 2003  (a 31 de Julho), o Vaticano emitiu um documento de oposição ao casamento homossexual onde se lia: “Inserir crianças nas uniões homossexuais através da  adopção significa, na realidade, praticar a violência 
sobre essas crianças, no sentido que se  aproveita do seu estado de fraqueza para introduzi-las em ambientes que não favorecem o seu pleno desenvolvimento humano.”

Apesar das alegações da Igreja de que “o pleno desenvolvimento humano” das crianças que crescem nas famílias homossexuais está comprometido, o que parece estar de facto comprometido nesta possibilidade é mais a plena continuidade da família tradicional. 

Desde logo porque o referido documento trata de uma eventual autorização do casamento homossexual e da sua reprodução, ignorando a existência dos milhares de famílias que por todo o mundo, vivem já, e nalguns casos há muito, nessas condições sem que os estudos efectuados revelem qualquer deficit de humanidade nestes filhos, nestas crianças – ideia corroborada pela  American Academy of Pediatrics que se posiciona publicamente em favor da adopção de crianças por casais do mesmo sexo.  

Antes do mais é preciso lembrar aos  que acreditam que a adopção é a única 
forma de um casal homossexual ter filhos  que não só a maioria dos indivíduos que compõem estes casais não é estéril como tão-pouco a reprodução é um acto exclusivamente natural.

Ter filhos é um acto de vontade, uma vontade vista como um desejo natural, que a homossexualidade não inibe! 

O parentesco foi já “desnaturalizado” (Collier e Yanagisako, 1997), porquanto as evidências etnográficas esclarecem a sua pertença mais ao domínio da cultura que da natureza, uma vez que as associações genealógicas são sobretudo construídas.

David Schneider (1984) foi dos antropólogos que  mais se bateu contra o enraizamento biológico do parentesco que prevalece no pensamento ocidental onde, por definição, o parentesco é composto por relações baseadas na reprodução sexual. Sendo um dos primeiros grandes críticos do que designou por “Doutrina da Unidade Genealógica da Humanidade”, chamou a atenção para que o método não é mais que uma tentativa de generalização de uma noção ocidental assente na ideia de que o parentesco está ligado à partilha de uma substância comum, que aproxima e identifica as pessoas umas com as 
outras.

No Ocidente, esta consubstancialidade está fortemente ligada à reprodução e ao pressuposto de que “o sangue é mais espesso que a água” (blood is thicker than water).  Os estudos realizados em diversos contextos não ocidentais revelam, porém, que o valor atribuído à reprodução no Ocidente não é universal.

Entre os Nuer do Sudão, por exemplo, a designação de pai estendia-se a demais membros da família, incluindo mesmo alguma irmã do pai, que por ser estéril passava, ao fim de alguns anos de não gestação, a constar do grupo dos homens e a ser chamada de pai (Héritier, 1996).

E nas Ilhas Salomão, por exemplo, em que as crianças ficam com os pais não pela ordem natural das coisas mas porque os pais as desejam e são autorizados a fazê-lo pela comunidade, torna-se evidente o carácter frágil e condicional das relações entre pais e filhos (Holy, 1996).  

A par da evidência universal da contingência do parentesco e da sua “desnaturalização”, os desenvolvimentos tecnológicos aumentam as possibilidades no domínio do parentesco ao introduzir a escolha como critério de construção familiar. 

Marilyn Strathern (1996) chama a atenção para a forma como as possibilidades introduzidas pelas novas tecnologias reprodutivas, desenvolvidas para colmatar limitações biológicas, vão mais longe na requalificação do parentesco: ao criarem um vínculo natural por via artificial, como resultado da escolha de se ter filhos que naturalmente não se podem conceber, abrem caminho para que outros candidatos a pais, naturalmente impossibilitados, possam também satisfazer as suas pretensões.

A ciência permite já situações que desafiam todas as noções de parentesco, como é o caso de mães virgens ou de duplas mães biológicas (no caso em que existe uma mãe hospedeira, que gera um embrião proveniente de uma combinação de óvulo/espermatozóide alheia).  

Mas não é apenas a ciência que dá passos na construção de relações familiares não assentes nas distinções de género fundamentais, os governos de alguns países, acompanham já estes desenvolvimentos ao permitirem aos casais homossexuais tanto a adopção plena de crianças, como a adopção do filho do companheiro por um parceiro do mesmo sexo.

Nesta segunda forma, a mais frequente na Europa e em prática em países onde a adopção conjunta não é, ainda, permitida, trata-se de adaptar a legislação a uma realidade em que as famílias se vêem muitas vezes incapazes de gerir a sua situação familiar por falta de enquadramento legal (seja na relação dos filhos com a escola, seja na própria vivência quotidiana quando, por  exemplo, o pai/mãe legal se ausenta e a criança é deixada com o companheiro/a.

Mas há países que vão mesmo mais longe nesta adaptação às diversas formas de agrupamento familiar e aplicam a presunção de paternidade à parceira não parturiente de um casal de lésbicas que tenha um filho por inseminação artificial - é assim no Quebeque, no Canadá.   

Voltando à questão inicial da distinção pai/mãe, homem/mulher, importa desde logo chamar a atenção para o modo como a reprodução medicamente assistida introduz novas questões com forte ressonância no plano social e jurídico.

Hoje em dia as famílias são cada vez mais diversificadas e pai/madrasta; mãe/padrasto, meio-irmão-materno, meio-irmão-paterno, irmão-filho-do-marido-da-mãe, etc. são realidades que não surpreendem ninguém. Para além destas famílias recompostas, as novas tecnologias evidenciam ainda outras distinções como “mãe genética”, “mãe biológica”, “mãe de aluguer”, etc.

As realidades sociais há  muito que transcendem as designações que existem e que são visivelmente insuficientes.  

Nas famílias homoparentais esta parece  ser das situações mais difíceis de 
resolver e aceitar: assim, surgem termos como “a outra mãe”, “madrasta”, “tia” ou então opta-se pela utilização apenas do nome da  pessoa em causa.
Em relação ao casal é referido como “a minha mãe e a parceira”; “as minhas mães”; “os meus pais”, etc.

Esta dificuldade, porém, não é tanto sentida no seio da família, sobretudo quando as crianças vivem esta situação desde sempre, mas nas referências à família fora do seio familiar. 

Abigail Garner, autora de um importante estudo americano sobre os filhos de pais LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgender) – Families Like Mine (2004) –, e ela própria filha de pai gay, conta que certa vez, na  cerimónia de graduação da faculdade, uma colega lhe perguntou qual dos dois homens para quem apontou como sendo a família, era o seu pai. Garner esclareceu que um era seu pai, e o outro, o parceiro dele (em inglês partner).  

“O ‘partner’?” perguntou. Eu  sustive a respiração. “Bem” continuou “não é fantástico que o ‘partner’ do teu pai tenha vindo de tão longe com ele para  assistir à cerimónia da tua graduação!”.



Respirei de alívio, satisfeita por ela ter percebido e achado fantástico. Mas depois acrescentou, “A que ramo de negócio é que eles se dedicam?” (Garner, 2004: 139 – Tradução minha) – é que partner em inglês quer igualmente dizer sócio.  

A inexistência de nomes para as relações torna difícil fazer transparecer a importância destas pessoas na família quando se fala dela a estranhos. A antropóloga Anne Cadoret (2000) observa no contexto francês, e em relação aos pais, esta mesma necessidade: “Nota-se uma vontade muito nítida de utilizar um termo de parentesco e não apenas o nome próprio da pessoa em causa, sublinhando assim uma vontade de formar uma família, de se afirmarem como pais.” (Cadoret, 2000: 173 – Tradução minha).

Assim, tanto acontece que mãe e pai sejam os biológicos ou legais, e os restantes, padrastos ou padrinhos, como também se opta por chamar pai/mãe a ambos os membros do casal, seguido do primeiro nome que distingue cada um deles.  As dificuldades relatadas não seriam  provavelmente muito distintas das que existiriam para a adopção comum, não fossem estas estar, normalmente, ao serviço de uma ficção de nascimento: veja-se as restrições no acesso à adopção e à reprodução assistida, sob o argumento do princípio do bem-estar da criança, sendo que muitas vezes as condições exigidas jamais seriam satisfeitas pelas famílias que geram crianças sem recorrer a estes meios. Já quando uma mãe sozinha, ou um pai celibatário, ou até um casal do mesmo sexo opta pela adopção, está-se em geral consciente da ausência de um dos sexos nesta composição.

Quase todos os estudos nesta área referem não ser difícil, na maioria dos casos, situar o sexo ausente uma vez que a criança nasce de um casal heterossexual e é posteriormente adoptada por  esta ou aquela pessoa, ou pelo casal do mesmo sexo.

Por outro lado, no caso dos filhos resultantes de inseminação artificial esta 
questão torna-se mais difícil de resolver. O envolvimento de mais do que duas pessoas no processo de concepção dificulta a nomeação  de cada um dos pais e privilegia um em detrimento do outro dos membros do casal.  

Sejam quais forem os termos usados, a dificuldade em classificar os parentes 
parece residir mais na forma como se explicam as relações familiares em causa.





O termo escolhido deverá evidenciar a existência de uma relação de tipo familiar e a posição da pessoa face a quem a nomeia. Como diz ainda Anne Cadoret (2000):  A família sempre foi uma montagem.

Tanto para as famílias homossexuais quanto para as famílias heterossexuais trata-se de fazer a ‘bricolage’ da família a partir de diversos argumentos de parentesco: o biológico, o social, o afectivo, o jurídico, o cultural, o histórico. Mas as famílias homossexuais fazem cair a nossa ilusão de um “parentesco natural”, de uma adequação do parentesco biológico ao parentesco social. (Cadoret, 2000: 173 – Tradução minha) 

Para além disso, estas famílias, ao reproduzir-se poderão estar a reproduzir o 
desajuste: que será dos filhos que crescem nestas famílias? Que homens e que mulheres serão?

Que famílias irão eles construir? Nos anos 80, nos Estados Unidos da América, os estudos sobre filhos de casais do mesmo sexo evidenciavam a necessidade de contrariar os argumentos homofóbicos e sublinhavam a existência de poucas diferenças entre as crianças educadas numa família homossexual face às que cresciam numa família heterossexual, e era até recorrente a indicação de que na sua grande maioria estas crianças na  idade adulta tendiam para a heterossexualidade, como se isso fosse sinónimo de uma educação eficaz.

As descobertas iam ao encontro dos receios da maioria heterossexual e homo-hesitante, e uma vez que esses receios se prendem normalmente com a hipótese de estas crianças apresentarem inconformidades de género, se as raparigas crescessem mais arrapazadas e os rapazes efeminados, tal seria motivo para preocupação.

Em 2001, os sociólogos americanos Judith Stacey e Timothy J. Biblarz, reexaminaram os dados utilizados nos estudos sobre os filhos das famílias do mesmo sexo, efectuados entre 1981 e 1998, e concluíram que contrariamente ao que antes havia sido divulgado, estes filhos apresentavam algumas diferenças relativamente aos seus congéneres de famílias heterossexuais.

A interpretação feita por estes autores sugere uma maior tendência dos filhos com pais do mesmo sexo para desafiar as ideias relativas aos papéis de género e à sexualidade.





Ao mesmo tempo que se mostravam mais abertos, por exemplo, ao igual desempenho de funções normalmente associadas a um dos sexos, também se revelavam mais abertos à aceitação das relações homossexuais, sem que isso fosse, no entanto, sinónimo de uma sexualidade mal resolvida – tanto para a homossexualidade quanto para a heterossexualidade.

No seu estudo, sobre filhos de casais do mesmo sexo, actualmente entre os 20 e os 30 anos, Abigail Garner verifica que por vezes estes filhos apresentam personalidades em cujas distinções de género são menos óbvias e em que os papéis são mais indistintos – um aspecto que os conservadores tomam como evidência de uma falha no desenvolvimento das crianças, mas que os próprios consideram, em geral, ser uma mais valia, na medida em que lhes confere uma liberdade maior de comportamento ao poderem expressar livremente traços mais  efeminados ou masculinos e ao serem abertamente afectuosos com alguém do mesmo sexo sem que isso os faça sentir esquisitos ou inseguros em relação à sua própria sexualidade.

Entre os jovens adultos com quem trabalhou, Garner percebeu como muitos deles têm uma clara noção de que a sua identidade de género escapa, por vezes, à rigidez dos padrões e não se coaduna exactamente com o que é ser homem e mulher, mas longe de considerarem isso uma falha no seu desenvolvimento pessoal, acreditam que tal os valoriza no seu relacionamento com os outros e lhes dá uma maior abertura e capacidade de tolerância – 
conclusão, aliás, a que têm chegado quase todos os estudos nesta área.   

E se os próprios se sentem bem, e integrados, e resolvidos na sua sexualidade, 
por que motivo se teme tanto pelo desenvolvimento destas crianças? Porque é que se diz ser no seu superior interesse que se impede a adopção por casais do mesmo sexo?

Como é que se poderá viver com uma realidade familiar que parece não ensinar a distinguir, com as suas próprias referências, o lugar dos homens e das mulheres na sociedade e na família? E quando é que o “problema” das  famílias homoparentais passa a ser o “problema” da família? Acima de tudo, o que a homoparentalidade evidencia é a possibilidade de se formar e viver a família de um modo não alicerçado nas categorias de género que na sociedade Ocidental estiveram sempre na base da sua formação, justificando (e justificadas por) o seu carácter natural. Para melhor se perceber a homoparentalidade é pois fundamental desmontar este conceito de família assente numa forte distinção de género e a partir daí perceber se ainda sobram motivos para que se receie a sua proliferação.

M | Ribeiro Henriques

“Há ideias e factos, que são portadores de futuro”

|Coimbra, 21/04/2012|

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Decidir

Mafalda é jovem e nunca foi muito ligada à prevenção de infeções sexualmente transmissíveis porque apesar de ter tido vários parceiros sexuais, eram todos rapazes conscientes e bem formados, pessoas aparentemente salubres e cuidadas que acima de tudo eram inteligentes na hora da escolha das pessoas com que se envolviam.

Contudo há um ano conheceu o João e desta vez foi diferente, não foi apenas o sexo que os uniu, ele era muito mais que isso e a cumplicidade instalada levou a que a relação tivesse outro significado. A vontade que a Mafalda tinha de se divertir, passou a pó, queria ser feliz e construir uma família tão boa ou melhor que aquela onde cresceu.

Já de coração cheio, chegou uma notícia inesperada mas previsível, ela tinha gravidado. Com esta notícia e no decorrer do rastreio necessário, também chegou outra novidade, o HIV também veio para ficar.

O João, pai da criança, ficou confuso e sem saber o que pensar, a felicidade da mais recente notícia depressa ficou reduzida a pavor. O João quando conheceu a Mafalda, estava no fim de uma relação com o Tiago e antes da relação com ela se cimentar, ainda cedeu algumas vezes à insistência do Tiago em terem relações sexuais que não passaram disso, relações sexuais por uma relação já inexistente.

Entretanto hoje o Tiago já ultrapassou em parte a perda do João e está a tentar ser feliz com o Mário que, apesar dele não saber, apenas se quer divertir, para ele não é possível sequer imaginar-se a fazer uma vida a dois com um rapaz e por isso mantém um casamento com a Rita.

Vive insatisfeito mas acha que se sente seguro assim, como se mantendo o casamento pudesse acreditar que é heterossexual e que apenas tem sexo com homens por diversão.

E a Rita? A Rita passa muitas noites só e vai sorrindo cada vez que o Mário inventa uma desculpa para não atender o telemóvel à sua frente, cada vez que inventa uma desculpa para chegar tarde ou não querer fazer amor.
A Rita que é uma pessoa insegura, vai tolerando porque acaba por ter medo da verdade que o pai das suas filhas, sofia e a Elsa, esconde.

A Sofia é a mais próxima da mãe, fazem compras juntas, partilham alguns dos seus medos, as suas alegrias e até partilham a lâmina na depilação como aconteceu hoje pela manhã. Há que ter uma boa imagem, hoje é sexta feira.

A Sofia é linda e está agora na idade de sair à noite sozinha, conhecer os seus primeiros amores. Hoje por exemplo vai sair à noite e quem sabe ter a sua primeira aventura sexual com um grande sortudo ou sortuda.

O Tiago usou sempre preservativo durante a relação que teve com o João que o acusava por isso de falta de confiança e na última vez, no desespero que o Tiago tinha em perder para sempre quem amava, conseguiu que o João ficasse com ele mais uma vez mostrando que afinal confiava.

O Mário nunca usou porque até hoje nunca teve problemas. A Rita das poucas vezes que tem sexo com o Mário fica tão feliz que não imagina sequer que aquele momento especial que a faz acreditar que as coisas vão melhorar possa ter algo de mau e a Sofia não sei, talvez se vá divertir como a Mafalda, talvez seja cautelosa como o Tiago foi por muito tempo, talvez nem precise decidir isso hoje, mas uma coisa é certa, não interessa de onde o bicho veio e onde vai parar, interessa que passe ao lado porque irá sempre tentar voltar sob a capa de muita e diversa gente.

Importa apenas é que passe ao lado tantas vezes quanto possível e que não pensemos que vivemos numa bolha onde as nossas boas e más decisões só nos afetam a nós, porque há mais mundo.

M | Ribeiro Henriques

“Há ideias e factos, que são portadores de futuro”

|Coimbra, 18/04/2012|

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Pais que revelem orientação sexual ao filhos devem fazê-lo sem dogmas


“(…) Os pais que desejem revelar a sua homossexualidade aos filhos devem fazê-lo sem dogmas, aconselha um psicólogo, que acredita ser mais difícil saber que um dos pais é homossexual do que viver com dois pais ou duas mães.
Psicólogo, terapeuta familiar e especialista em questões de género, Pedro Frazão não tem dúvidas em afirmar que cada vez mais vão surgir casos de pais que revelam a sua homossexualidade aos filhos.

“A homossexualidade sempre existiu. É importante que as pessoas percebam que não se trata de uma invenção da modernidade e estas são situações que vão acontecer mais porque há uma abertura muito maior do ponto de vista social em Portugal, sobretudo nos últimos 20 anos”, explicou Pedro Frazão numa entrevista à agência  Lusa.

Maria (nome fictício) foi casada durante vários anos e teve uma menina e um rapaz desse relacionamento. Ainda estava casada quando teve “uma relação muito próxima com uma colega de trabalho” e se questionou, pela primeira vez, sobre a sua orientação sexual.

Garante que não foi isso que ditou o fim do seu casamento e que a relação terminou por si própria. Quando se divorciou a filha tinha quatro anos e o filho dez e a primeira relação homossexual aconteceu cerca de um ano depois. “No início tive bastante medo e chegou a passar-me pela cabeça que os meus filhos quando soubessem iam contar ao pai e ele iria querer ficar com eles porque acharia que os filhos não deveriam ter uma mãe homossexual. Também me passou pela cabeça esconder a relação até eles serem maiores, mas isso era um longo caminho. Depois fui-me acalmando”, contou Maria à Lusa.

Até aos 28 anos, Paulo (nome fictício) nunca assumiu que era homossexual, apesar de sempre ter sabido que essa era a sua orientação sexual. Viveu com uma namorada durante cinco ou seis anos, têm uma filha e é quando a relação acaba – “mais por ela” – que Paulo ganhou coragem para se assumir. A ex-companheira acompanha a “saída do armário” e apoia-o. Depois chegou a altura de contar à filha que alguns dos amigos do pai não eram só amigos e que às vezes também eram namorados. “A escola primária não era uma boa altura porque ela depois poderia confidenciar aos colegas e estes gozarem com ela”, explicou Paulo. A revelação acabou por acontecer durante as férias de Verão, o ano passado.

“Já não sei como é que veio a conversa, mas já lhe tinha dito que tinha uma coisa especial para lhe contar e logo na primeira noite fomos fazer uma caminhada na praia e contei-lhe fazendo uma comparação com alguma coisa que ela percebesse”, contou. A comparação meteu ervilhas pelo meio. Paulo admite que não terá sido “das comparações mais felizes”, mas olhando para trás tem consciência que não há fórmulas ideais. “Disse-lhe que se calhar não gostamos muito de ervilhas, por exemplo. Comemos uma vez, uma segunda e vamos comendo até que às tantas já não conseguimos comer mais ervilhas e relacionei isso com o que se passou comigo”, adiantou Paulo.
Maria optou por não falar com os dois filhos ao mesmo tempo. Na altura, a filha ia entrar para a escola primária e entendeu que era ainda muito pequena para compreender. “Resolvi falar com o meu filho mais velho e disse-lhe: Aquela amiga da mãe de quem tu tanto gostas e que achaste bem vir viver connosco, não é só amiga e tenho um sentimento por ela que é mais do que amizade, é como eu senti pelo teu pai na altura em que casei e tu e a tua irmã nasceram. Neste momento ela é minha namorada”, contou.

O psicólogo Pedro Frazão aconselha aos pais a terem uma atitude de abertura, “sem grandes dogmas”, na altura de contarem aos filhos que a sua orientação sexual é diferente daquela que eles pensavam e lembra que “são as bases da relação daquelas pessoas, que já existia anteriormente, que determinam como é que as coisas vão correr”.

“Deve-se adaptar a linguagem consoante a idade das pessoas porque é diferente contar a uma criança ou contar a um adulto ou a um adolescente”, explicou, acrescentando que as reacções podem ser as mais diversas. Para a filha de Paulo, por exemplo, a revelação resultou num misto de surpresa: primeiro de choque e depois num “bombardeamento” de todo o tipo de perguntas.
O filho mais velho de Maria disse imediatamente à mãe que desde que ela estivesse feliz, ele também estava, enquanto a irmã disse que não gostava de ser a única criança com duas mães.

Pedro Frazão lembrou que os pais têm de ter a noção que da mesma maneira que eles demoraram muitos anos até lidarem com a sua orientação sexual e assumirem para si essa realidade, “as pessoas a quem contam também vão precisar de tempo para absorver a nova informação e começar a ver essa nova realidade”.

Na opinião do psicólogo, é mais difícil para alguém que durante toda a vida conheceu os pais como heterossexuais ter de reformular essa informação do que uma criança que tem dois pais ou duas mães e que desde sempre conheceu aquele modelo.
“À semelhança da pessoa que revela a sua orientação sexual, estas pessoas têm que lidar com a ideia de terem um pai que é gay ou uma mãe que é lésbica e de terem de escolher se vivem isso de uma forma silenciosa ou se partilham isso com as pessoas que conhecem”, sublinhou.

Acrescentou que esta é uma informação que obriga a uma reformulação da imagem que se tem dos pais, mas que não é muito diferente de um filho achar que os pais têm um casamento feliz e depois perceber que isso não era verdade.
“Aqui é o mesmo, só que a questão é muito mais estigmatizada”, considerou. Maria e Paulo não se arrependem de ter contado e garantem ter uma relação de maior abertura e de cumplicidade com os respetivos filhos. Agora, o medo é outro, que os filhos se venham a magoar por causa da orientação sexual dos pais (…)”.
in:

M | Ribeiro Henriques

“Há ideias e factos, que são portadores de futuro”
|Coimbra, 05/04/2012|

sábado, 10 de março de 2012

“Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”. (João 8:36)



Parece que só passamos a apreciar a liberdade quando por algum motivo, de alguma forma, nos sentimos privados dela. Aliás, apenas a consciência que se percebeu cativa, impedida, encarcerada, por algo ou alguém, é que almeja intensamente por enfim, sentir-se livre.

Creio que a ideia do cárcere amedronta e apavora todos os seres, humanos ou não? Desde o pássaro que um dia foi livre, mas caiu na armadilha, e chora com seu canto, dentro da gaiola. Já perceberam como é tristonho o olhar dos animais que habitam em jardins zoológicos? E esse mesmo canto incompreensível de lamento, esse olhar tristonho, que encontramos todos os dias, em todos os lugares, muitas vezes diante do nosso espelho.

Não é preciso estar encarcerado numa prisão para sentir-se preso. Possuímos cadeias invisíveis aos olhos, porém igualmente intransponíveis. Afinal, que liberdade possui alguém que depende de algum tipo de entrave para conseguir sorrir?

E o que dizer dos alcoólicos, dos viciados em pornografia, dos que roubam, e dos que matam, dos que violam ou dos que batem em mulheres? Ou mesmo daqueles que vivem esmagados pelo peso da culpa pela prática homossexual? Seriam realmente livres, aqueles que tendo que subornar outros, obtêm vantagens? Seriam realmente livres quem, vaidosamente, existe para corresponder aos padrões estéticos que os mídia convencionou chamar de “belo” ou “normal”?

 Seriam livres aqueles que mesmo em meio a uma multidão, sentem-se solitariamente reclusos em si mesmo, não tendo com quem compartilhar as suas dores, alegrias, derrotas ou desafios?

Será a religião capaz de produzir indivíduos livres? Quando olho em minha volta, ou quando observo a minha própria vida, forçosamente respondo que não. A religião, decididamente, não faz indivíduos livres. Pode, no máximo, nos tornar pessoas “aceitáveis” dentro da ótica de gueto cultural e comportamental bem característicos dos clubinhos religiosos, e mais especificamente refiro-me aos católicos apostolicísticos romanos, (aos qual pertenço, e conheço bem!).

 Aderimos a uma visão corporativa e marketisada passamos a utilizar uma estrutura do tipo “igreja-empresa”, para não só conquistar o “cliente”, mas também torná-lo fiel.

Em muitos templos e denominações, a bênção já não é obtida como um favor gracioso de Deus, mas sim como o resultado produzido pela obediência irrestrita às estratégias, dogmas, e práticas ensinadas pelos seus líderes. A religião vicia, e conduz a uma intermediação por ela oferecida, que lhe garante um privilegiada e confortável situação de proximidade ao Deus por ela oferecido.

Mas, e quanto a Jesus? Esse sim é ao mesmo tempo livre e libertador. Podemos observar na leitura dos Evangelhos seu ânimo absolutamente livre, fazendo escolhas e quebrando paradigmas a todo instante, rompendo com tradições humanas inúteis ou mal-compreendidas, tratando com dignidade, amor e especial zelo, os indivíduos marginalizados do seu tempo.

Escolheu pescadores, mulheres, cobradores de impostos, para serem seus discípulos, tocou, ergueu, curou, alimentou, libertou consciências, conforme profetizado por Isaias e até reafirmado por Ele mesmo em Lc 4.19-30. A ninguém ele, de alguma forma aprisionou... Ensinou de forma prática o significado do verbo amar, e mais, disse que os seus seguidores seriam conhecidos por essa mesma característica: o Amor.

Jesus não trouxe uma nova religião, mas sim uma nova ética para a humanidade, propôs uma mudança a partir de cada indivíduo, mudança esta, e valores estes, que ele chamou de Reino de Deus !

Mas qual é a liberdade que Jesus prometeu? Liberdade, em Jesus, é poder realizar de facto escolhas, livre de vícios, imposições, inclinações patológicas, é não ter que ser o que os outros nos impõem que sejamos, mas sim que nós podemos tornar o melhor de nós mesmos.
Que potencialize nossas virtudes, que sejamos capazes de nos surpreender com o poder da bondade e da misericórdia aplicados ao nosso próximo.

Em Cristo, a liberdade é um convite para que nós, em parceria com Deus, possamos reescrever a nossa história, melhorando a nossa vida e também a daqueles que estão ao nosso redor.

E no final dos nossos dias, ao olharmos no espelho da nossa consciência, veremos o quão parecidos com Ele nos tornamos, pois, será que à semelhança de Jesus, teremos aprendido o real sentido de ser livres?

M | Ribeiro Henriques

“Há ideias e factos, que são portadores de futuro”
|Coimbra, 10/03/2012|


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012


Amanha os meus meninos vão ter Historia, desta feita preparei uma actividade bem gira com a obra de Max Velthuijs, - "O SAPO APAIXONADO"
... Só vos digo que isto promete, e por certo vai aquecer os nossos corações com alguns dos melhores valores a festejar neste dia ;

- Amizade - Fraternidade - Amor - Solidariedade - 















domingo, 22 de janeiro de 2012

Há dias assim...

Há dias em que a palavra Pai ganha mais ênfase na vida de um homem. Todos os Pais têm os melhores filhos do mundo, e nenhum se permite vê-los sofrer por nada nem ninguém. Ele, o Pai agarrou toda a força que conseguiu buscar no intimo do seu ser... e obrigou-se a segurar a Filha enquanto estava a ser suturada...no fim contavam-se 8 pontos, e muitas lágrimas de sufoco e ansiedade, a impotência deu lugar ao alivio, ainda que frustrante pela dor que estava a sentir... quiseram gritar de raiva no fim.... Juntos choraram  abraçados, ela de alivio e conforto, ele pela dor da alma...era o pedaço de si que ali estava a sofrer...  e ele era só o Pai...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Hoje por Lisboa ao fim do dia para os Prémios Arco-Íris, pela ILGA.

Já ouviram falar? Prémios de Cidadania para os mais distraídos.

Acontece hoje no cinema S. Jorge c/ Ricardo Araújo Pereira na condução... e eu vou lá estar, depois conto-vos tudo...

...até já Amigos :-))))))

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012


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Já é oficial Amigos...dos 8 aos 80, aberto a todos é já nos dias 21 e 22 em Leiria...

As inscrições já estão abertas!

- Inscrições; 
- Local;
- Horários;
- Preços, etc, etc, etc ...

Perguntem-me como.... :-)

marco-cardoso-83@hotmail.com

Até Já, em Leiria ....

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

( Re ) Começar.


Trago no regresso de férias uma enorme paz de espírito que ansiava há dias. Por vezes involuntariamente sou contagiado pelo mau estar e deficit de personalidade de alguns, o que me transtorna, bloqueia, e se andava cansado mais debilitado fiquei com a desilusão que algumas pessoas trazidas pelo ano velho se revelaram.

"Amigo é a minha barriga, e não me ade doer" lá diz a minha mãe, na sua ignorante sabedoria popular.

Eu cá, continuo acreditar que os há, e que felizmente estou rodeado de muitos, pessoas que em troca de nada, me retribuem atenção e apoio. Para os quais vão os meus mais sinceros agradecimentos por existirem na minha vida.

No último post de 2011,  houve ainda tempo para lembrar todos os que me são próximos e por alguma razão se encontraram comigo, quer tenha sido nos projectos profissionais, os meus colaboradores, minha editora, e todos os que me deram tanto apoio na criação e crescimento do Instituto Sorriso Maior, e ainda os que por alguma razão chegaram até mim e me ajudaram a ser como sou hoje... 

Juntos crescemos em 2011, e só em conjunto continuaremos a SER GRANDES, Todos !
A todos, e a cada um individualmente, guardo-os no coração,

Reforçado, e de baterias carregadas há que mandar vir em grande o novo ano, e que em 2012 consiga consolidar os  objectivos, profissionais e pessoais que agora deixo iniciados com o ano venho, e que isso seja o reflexo do crescimento individual de todos os que me rodeiam.

Hoje o meu Ano começou em grande, é domingo, o 1º do ano, e já estou a trabalhar, não só, estou a trabalhar no meu projecto profissional que é já incondicional na minha vida, o plano de actividades está pronto, e é só novidades boas no ar! 

Que sejam todos os nossos dias assim, é o meu desejo... Bom Trabalho a todos em 2012

M | Ribeiro Henriques

“Há ideias e factos, que são portadores de futuro”

|Coimbra, 02/01/2012|

domingo, 25 de dezembro de 2011

Procriação Machistamente Assistida

Até há poucos anos muitas portuguesas tinham de viajar ate Espanha para porem termo a uma gravidez indesejada. Felizmente já o podem fazer em Portugal. Mas hoje, muitas – as que para isso têm posses – têm de se deslocar a Espanha para conceberem uma criança desejada.

Naquele país é possível, desde 1988 (há mais de 20 anos, portanto), o acesso a procriação medicamente assistida por parte de qualquer mulher, incluindo naturalmente as lésbicas, e sem ser apenas por razões de infertilidade. Em Portugal, a lei da Procriação Medicamente Assistida tem restrições que, no fundo, dizem que as mulheres são seres inferiores e incapazes.

Para a nossa lei, elas necessitam da tutela do homem com quem vivam ou com quem estejam casadas para acederem a PMA. E precisam de ter problemas de infertilidade. Ficam de fora as mulheres que queiram prosseguir projetos de maternidade sem relação com um homem – e sem relações com um homem, o que abrange tanto heterossexuais como lésbicas.

Ficam também de fora os casais de lésbicas, em união de facto ou casadas. Não cessa de me espantar como é que esta situação não foi ainda considerada inconstitucional, no que tem de menorização das mulheres enquanto pessoas autónomas e cidadãs.

Mas não deveria espantar-me. O sexismo perdura na nossa sociedade apesar de importantes transformações legislativas. E se o conjunto das mulheres continua a ser alvo de toda a espécie de discriminações, a situação agrava-se no caso das lésbicas: ao sexismo acresce a homofobia, a qual também perdura apesar dos avanços legislativas.

Quando olhamos para as propostas de alteração da lei da PMA que tem vindo a lume – do BE ou do PS – e para o incipiente debate público em torno da matéria, vemos que falham sempre nalgum ponto. Ora restringem o acesso a PMA à ideia de tratamento da infertilidade, ora excluem as lésbicas, ora não consideram a possibilidade da presunção da maternidade ou da perfilhação pela mulher unida de facto ou casada com a que recorre A PMA.

Em suma, a figura da lésbica é o elefante na loja de porcelana. Uma loja com donos preconceituosos – em relação às mulheres, e mais ainda em relação às lésbicas. Que o enquadramento familiar das crianças seja usado como o “argumento” para as restrições é apenas mais um caso da perversidade do pensamento conservador, face a toda a prova científica sobre o predomínio da qualidade das relações de parentalidade sobre a estrutura dos agregados familiares.

É o argumento simétrico – e como é patético que ele seja usado por tanta gente de esquerda… – do que era usado pelo opositores da despenalização do aborto.



Uma alteração coerente da lei da PMA deverá garantir o acesso a todas as mulheres adultas e em bom estado de saúde física e mental. A infertilidade não pode ser a única justificação, pois isso implica quer a imposição moral da superioridade da procriação conjugal, quer da heterossexualidade.

Posso ser “radical”? É como se o Estado estivesse a violar simbolicamente as mulheres heterossexuais sem companheiro, e as lésbicas, dizendo-lhes: “Querem filhos? Arranjem um homem, mesmo que não queiram ter sexo com ele, mesmo que ter sexo com homens seja uma violação da vossa identidade mais profunda como pessoas”.

Uma alteração da lei da PMA deverá também levar a sério (mas como pode alguém imaginar – e propor – algo de diferente?!) o reconhecimento das uniões de facto e casamentos entre mulheres, garantindo a presunção da maternidade à segunda mãe, como já o faz para os pais sem qualquer lago biológico.

Note-se (como é referido num comunicado da ILGA, cujo conteúdo subscrevo inteiramente) que, depois da aprovação da lei que definiu as regras para a alteração do registo de nome e sexo pelas pessoas transgénero, Portugal até já admite o reconhecimento de duas mães ou dois pais legais.

Não há nenhuma razão que impeça uma lei da PMA que garanta tudo isto. Porque a exclusão de qualquer um destes pontos não é explicável a não ser, em última instância, pelo preconceito – pelo sexismo e pela homofobia. No nosso país vivemos corn leis esfrangalhadas, pontuais, parcelares, porque não somos capazes de assumir o princípio da igualdade como base a partir da qual decidir.

Resultado? Casais de gays e de lésbicas que não podem adotar enquanto casal; segundos pais e segundas mães que não podem co-adotar ou perfilhar, ao contrário dos heterossexuais, nem verem a sua paternidade ou maternidade presumidas (de novo: ao contrário dos heterossexuais) criando assim problemas para as suas crianças; ou lésbicas que não podem aceder à PMA, ainda que tenham a sua união de facto ou casamento reconhecidos como iguais aos dos heterossexuais.

Não se trata “apenas” de lutar contra a discriminação, de garantir igualdade de oportunidades, ou de defender os direitos humanos. Trata-se de cumprir a democracia e o princípio constitucional e civilizacional da igualdade. Isto só é difícil de perceber e levar a sério por cabeças, à direita e à esquerda, que desprezam o bem-estar das crianças (no plural, as crianças concretas e existentes) no exato momento em que falam do seu supremo interesse (no singular, “criança” abstrata).

Por que o fazem? Não consigo honestamente encontrar outra resposta que não seja o preconceito sexista e homofóbico. E quando os dois se juntam, são as lésbicas as mais excluidas da cidadania. É na exclusão das lésbicas que se situam todos os esforços do malabarismo legislativo deste país em crise não só financeira e económica mas tambem democrática. Pareço ouvir algumas das acima referidas “cabeças” ao congeminarem os pormenores das alterações á lei: “Eh, pá, isso não, que se abre a porta às lésbicas”. Pois…

M | Ribeiro Henriques

“Há ideias e factos, que são portadores de futuro”

|Coimbra, 25/12/2011|