“ - Porque a igualdade formal e informal entre mulheres e homens, é um direito fundamental da Pessoa Humana.
- Porque as mulheres representam mais de metade da população e a democracia impõe a paridade da representação e administração das nações.
- Porque as mulheres representam metade dos talentos e qualificações potenciais da humanidade e porque a sua subrepresentação nos postos de decisão constitui uma perda para a humanidade no seu conjunto.
- Porque uma participação equilibrada de mulheres e de homens na tomada de decisão é suscetível de criar ideias, valores e comportamentos diferentes, no sentido de um mundo mais justo e equilibrado tanto para as mulheres como para os homens.
Porque a subrepresentação das mulheres nos postos de decisão não permite que sejam plenamente tomados em consideração os interesses e necessidades do conjunto da população.”
(UNESCO, 1993)
segunda-feira, 21 de maio de 2012
À conversa com a Deputada Mariana Aiveca
Na
passada quinta-feira, dia 17, estive à conversa com a Deputada Mariana Aiveca,
cerca de 2 horas de conversa, convocada pelo “Papel da Mulher na
Democracia”. Uma análise na primeira pessoa, sobre o percurso da mulher
na dimensão democrática, como mulher Politica, a mulher Social, como
Mulher, metade de um Estado.
Deixo-vos um pequeno trecho da nossa conversa:
“...continuo a fazer a sopa, a lavar o carro, pinto paredes (…) as pessoas onde moro, ainda no ano passado me viram a fazer obras de pedreiro…”
“…A minha forma de ser, de coabitar com pessoas que não pensam como eu, e de ir fazendo vingar as minhas opinião pela demostração de argumentos e atitudes, porque mais importante que argumentos são as atitudes, permitiu que toda família me reconhece, como eu sou, sempre muito contestatária, sempre dando-me como exemplo...”
“…O tempo é uma coisa que temos sempre para tudo, ele depende do nosso querer… eu sinto alguma vaidade no meu percurso, sinto alguma vaidade na minha forma de gerir, trabalhei sempre muito com a maior alegria para fazer vingar as minhas convicções, e sempre me fez muita confusão algumas pessoas, quando dizerem que não tempo para o ativismo, porque tem filhos para criar, etc…”
“ …Os meus filhos desde cedo perceberam, com naturalidade que à noite, a mãe tinha uma reunião….”
”…Vamos fazer os trabalhos da escola, tomar balho, porque depois de jantar a mãe, vai ter uma reunião muito importante, porque vai ajudar pessoas, que estão a precisar de muita ajuda, porque a fabrica delas fechou, e mãe pode de alguma forma ajudar essas pessoas explicando-lhes o que devem fazer, porque só faz sentido saber que existe uma lei se a poder-mos explicar, ajudando outros.”
A entrevista completa será publicada na integra, aqui no meu blogue, logo após a apresentação oficial deste projeto a 30 de Maio, podem saber mais sobre este trabalho em:
Deixo-vos um pequeno trecho da nossa conversa:
“...continuo a fazer a sopa, a lavar o carro, pinto paredes (…) as pessoas onde moro, ainda no ano passado me viram a fazer obras de pedreiro…”
“…A minha forma de ser, de coabitar com pessoas que não pensam como eu, e de ir fazendo vingar as minhas opinião pela demostração de argumentos e atitudes, porque mais importante que argumentos são as atitudes, permitiu que toda família me reconhece, como eu sou, sempre muito contestatária, sempre dando-me como exemplo...”
“…O tempo é uma coisa que temos sempre para tudo, ele depende do nosso querer… eu sinto alguma vaidade no meu percurso, sinto alguma vaidade na minha forma de gerir, trabalhei sempre muito com a maior alegria para fazer vingar as minhas convicções, e sempre me fez muita confusão algumas pessoas, quando dizerem que não tempo para o ativismo, porque tem filhos para criar, etc…”
“ …Os meus filhos desde cedo perceberam, com naturalidade que à noite, a mãe tinha uma reunião….”
”…Vamos fazer os trabalhos da escola, tomar balho, porque depois de jantar a mãe, vai ter uma reunião muito importante, porque vai ajudar pessoas, que estão a precisar de muita ajuda, porque a fabrica delas fechou, e mãe pode de alguma forma ajudar essas pessoas explicando-lhes o que devem fazer, porque só faz sentido saber que existe uma lei se a poder-mos explicar, ajudando outros.”
A entrevista completa será publicada na integra, aqui no meu blogue, logo após a apresentação oficial deste projeto a 30 de Maio, podem saber mais sobre este trabalho em:
Cumpre-me aqui reafirmar, o meu profundo agradecimento, a esta nossa ente-representante na Assembleia da Republica, que longe da esfera estritamente politica, e no seio de uma verdadeira esquizofrenia logística, se prontificou desde a primeira hora na colaboração neste projeto.
M | Ribeiro Henriques
“Há ideias e factos, que são portadores de futuro”
|Coimbra, 21/05/2012|
terça-feira, 15 de maio de 2012
Na próxima quinta feira dia 17,
vou estar à conversa com a deputada Mariana Aiveca, onde a "Mulher"
assumirá o mote, para uma conversa que se pretende, aberta, esclarecida e muito
informal!
Isabel Alçada, é a próxima
entrevistada!"A
Mulher e seu Papel na Democracia" é o nome do projecto.
Desta feita pretendo reunir; os Elementos chave, os Intervinientes, e as suas Histórias,
no final pretende-se uma amostra da evolução no papel da Mulher no seio da
construção democrática, e a sua intervenção na coisa pública!
Como não poderia deixar de ser,
continuamos a falar de Igualdade!
Bem Hajam
M | Ribeiro
Henriques
“Há ideias e factos, que são portadores de futuro”
|Coimbra, 15/05/2012|
sábado, 21 de abril de 2012

Quando falamos numa família homoparental
estamos desde logo a entrar por
uma via que, à partida, parece contrariar
a própria noção de família, assente numa forte distinção de género, a que
correspondem simbolicamente algumas atribuições: os papéis de mãe/mulher e
de pai/homem. Se é certo que, aparentemente, estas distinções tendem a estar
cada vez mais esbatidas, e que se espera que a responsabilidade na educação
dos filhos seja dividida por igual entre os pais, continua a dar-se uma
enorme importância às distinções de género no seio da família,
consideradas como referências fundamentais.
As distinções de que falamos pressupõem
que a mulher é mãe e o homem pai, e que os dois coexistem numa relação
parental (mesmo se uma das partes nunca participou de facto nesta relação)
e esta é normalmente vista como a única e natural possibilidade numa
relação que é, apesar de tudo, socialmente construída.
A ideia de que para se ser pai é
necessário ser-se homem está ligada àquela outra defendida por David Blankenhorn,
autor do livro Fatherless América (1995) que causou um enorme debate ao
afirmar que a própria masculinidade só se atinge plenamente com a
paternidade:
"A
paternidade, mais do que qualquer outra actividade masculina, ajuda os
homens a tornarem-se bons homens: mais propensos a obedecer às leis, a ser
bons cidadãos, a pensar nas necessidades dos outros". (p.21 – tradução minha)
É certo que, para o autor, esta
paternidade benévola é apanágio exclusivo dos
pais biológicos ou adoptivos, sendo os
padrastos excluídos desta propensão para o bem. Também na equação subjacente a
este argumento existe a mãe/mulher, cuja presença é fundamental e
necessária à existência deste pai/homem.
Para lá do interesse em defender os
valores da família tradicional americana, o autor está empenhado em reforçar,
através da família, as distinções de género, absolutamente necessárias à conservação
destes valores.
Quando se fala em famílias homoparentais
esta lógica familiar fica desde logo ameaçada e com ela o futuro da
família pensada nestes termos. As justificações para a não-aceitação das
famílias homoparentais são frequentemente as de que se trata de uma situação
anormal, desviante, em que as crianças vão crescer confusas, destituídas
de valores morais, em que serão provavelmente recrutadas para a
homossexualidade. Esta ideia pode manifestar-se de várias formas e quase
sempre é expressa em favor do “superior interesse da criança”.
Em 2003 (a 31 de Julho), o Vaticano
emitiu um documento de oposição ao casamento homossexual onde se lia: “Inserir crianças nas uniões
homossexuais através da adopção significa, na realidade, praticar a
violência
sobre
essas crianças, no sentido que se aproveita do seu estado de fraqueza
para introduzi-las em ambientes que não favorecem o seu pleno
desenvolvimento humano.”
Apesar das alegações da Igreja de que “o pleno desenvolvimento humano” das
crianças que crescem nas famílias homossexuais está comprometido, o que
parece estar de facto comprometido nesta possibilidade é mais a plena
continuidade da família tradicional.
Desde logo porque o referido documento trata
de uma eventual autorização do casamento homossexual e da sua reprodução,
ignorando a existência dos milhares de famílias que por todo o mundo, vivem já,
e nalguns casos há muito, nessas condições sem que os estudos efectuados
revelem qualquer deficit de humanidade nestes filhos, nestas crianças –
ideia corroborada pela American Academy of Pediatrics que se posiciona
publicamente em favor da adopção de crianças por casais do mesmo sexo.
Antes do mais é preciso lembrar aos
que acreditam que a adopção é a única
forma de um casal homossexual ter filhos
que não só a maioria dos indivíduos que compõem estes casais não é
estéril como tão-pouco a reprodução é um acto exclusivamente natural.
Ter filhos é um acto de vontade, uma
vontade vista como um desejo natural, que a homossexualidade não inibe!
O parentesco foi já “desnaturalizado”
(Collier e Yanagisako, 1997), porquanto as evidências etnográficas
esclarecem a sua pertença mais ao domínio da cultura que da natureza, uma
vez que as associações genealógicas são sobretudo construídas.
David Schneider (1984) foi dos
antropólogos que mais se bateu contra o enraizamento biológico do
parentesco que prevalece no pensamento ocidental onde, por definição, o parentesco
é composto por relações baseadas na reprodução sexual. Sendo um dos primeiros
grandes críticos do que designou por “Doutrina da Unidade Genealógica da Humanidade”,
chamou a atenção para que o método não é mais que uma tentativa de generalização
de uma noção ocidental assente na ideia de que o parentesco está ligado à partilha
de uma substância comum, que aproxima e identifica as pessoas umas com as
outras.
No Ocidente, esta consubstancialidade está
fortemente ligada à reprodução e ao pressuposto de que “o sangue é mais
espesso que a água” (blood is thicker than water). Os estudos realizados
em diversos contextos não ocidentais revelam, porém, que o valor atribuído
à reprodução no Ocidente não é universal.
Entre os Nuer do Sudão, por exemplo,
a designação de pai estendia-se a demais membros da família, incluindo mesmo
alguma irmã do pai, que por ser estéril passava, ao fim de alguns anos de
não gestação, a constar do grupo dos homens e a ser chamada de pai
(Héritier, 1996).
E nas Ilhas Salomão, por exemplo, em
que as crianças ficam com os pais não pela ordem natural das coisas mas
porque os pais as desejam e são autorizados a fazê-lo pela comunidade,
torna-se evidente o carácter frágil e condicional das relações entre pais
e filhos (Holy, 1996).
A par da evidência universal da
contingência do parentesco e da sua “desnaturalização”, os
desenvolvimentos tecnológicos aumentam as possibilidades no domínio do
parentesco ao introduzir a escolha como critério de construção familiar.
Marilyn Strathern (1996) chama a atenção
para a forma como as possibilidades introduzidas pelas novas tecnologias
reprodutivas, desenvolvidas para colmatar limitações biológicas, vão mais
longe na requalificação do parentesco: ao criarem um vínculo natural por
via artificial, como resultado da escolha de se ter filhos que naturalmente
não se podem conceber, abrem caminho para que outros candidatos a pais, naturalmente
impossibilitados, possam também satisfazer as suas pretensões.
A ciência permite já situações que
desafiam todas as noções de parentesco, como é o caso de mães virgens ou
de duplas mães biológicas (no caso em que existe uma mãe hospedeira, que gera
um embrião proveniente de uma combinação de óvulo/espermatozóide alheia).
Mas não é apenas a ciência que dá passos
na construção de relações familiares não assentes nas distinções de género
fundamentais, os governos de alguns países, acompanham já estes
desenvolvimentos ao permitirem aos casais homossexuais tanto a adopção
plena de crianças, como a adopção do filho do companheiro por um parceiro
do mesmo sexo.
Nesta segunda forma, a mais frequente na
Europa e em prática em países onde a adopção conjunta não é, ainda,
permitida, trata-se de adaptar a legislação a uma realidade em que as
famílias se vêem muitas vezes incapazes de gerir a sua situação familiar
por falta de enquadramento legal (seja na relação dos filhos com a escola,
seja na própria vivência quotidiana quando, por exemplo, o pai/mãe
legal se ausenta e a criança é deixada com o companheiro/a.
Mas há países que vão mesmo mais longe
nesta adaptação às diversas formas de agrupamento familiar e aplicam a
presunção de paternidade à parceira não parturiente de um casal de
lésbicas que tenha um filho por inseminação artificial - é assim no
Quebeque, no Canadá.
Voltando à questão inicial da distinção
pai/mãe, homem/mulher, importa desde logo chamar a atenção para o modo
como a reprodução medicamente assistida introduz novas questões com forte
ressonância no plano social e jurídico.
Hoje em dia as famílias são cada vez
mais diversificadas e pai/madrasta; mãe/padrasto, meio-irmão-materno, meio-irmão-paterno,
irmão-filho-do-marido-da-mãe, etc. são realidades que não surpreendem
ninguém. Para além destas famílias recompostas, as novas tecnologias evidenciam
ainda outras distinções como “mãe genética”, “mãe biológica”, “mãe de aluguer”,
etc.
As realidades sociais há muito que
transcendem as designações que existem e que são visivelmente
insuficientes.
Nas famílias homoparentais esta parece
ser das situações mais difíceis de
resolver e aceitar: assim, surgem termos
como “a outra mãe”, “madrasta”, “tia” ou então opta-se pela utilização
apenas do nome da pessoa em causa.
Em relação ao casal é referido como
“a minha mãe e a parceira”; “as minhas mães”; “os meus pais”, etc.
Esta dificuldade, porém, não é tanto
sentida no seio da família, sobretudo quando as crianças vivem esta
situação desde sempre, mas nas referências à família fora do seio
familiar.
Abigail Garner, autora de um importante
estudo americano sobre os filhos de pais LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais
e Transgender) – Families Like Mine (2004) –, e ela própria filha de pai
gay, conta que certa vez, na cerimónia de graduação da faculdade,
uma colega lhe perguntou qual dos dois homens para quem apontou como sendo
a família, era o seu pai. Garner esclareceu que um era seu pai, e o outro,
o parceiro dele (em inglês partner).
“O ‘partner’?” perguntou. Eu sustive
a respiração. “Bem” continuou “não é fantástico que o ‘partner’ do teu pai
tenha vindo de tão longe com ele para assistir à cerimónia da
tua graduação!”.
Respirei de alívio, satisfeita por ela ter
percebido e achado fantástico. Mas depois acrescentou, “A que ramo de negócio é que eles se
dedicam?” (Garner, 2004: 139 – Tradução minha) – é que partner em inglês quer igualmente dizer
sócio.
A inexistência de nomes para as relações
torna difícil fazer transparecer a importância destas pessoas na família
quando se fala dela a estranhos. A antropóloga Anne Cadoret (2000) observa
no contexto francês, e em relação aos pais, esta mesma necessidade: “Nota-se uma vontade muito nítida de
utilizar um termo de parentesco e não apenas o nome próprio da pessoa em
causa, sublinhando assim uma vontade de formar uma família, de se
afirmarem como pais.” (Cadoret, 2000: 173 – Tradução minha).
Assim, tanto acontece que mãe e pai sejam
os biológicos ou legais, e os restantes, padrastos ou padrinhos, como
também se opta por chamar pai/mãe a ambos os membros do casal, seguido do
primeiro nome que distingue cada um deles. As dificuldades relatadas não
seriam provavelmente muito distintas das que existiriam para a
adopção comum, não fossem estas estar, normalmente, ao serviço de uma
ficção de nascimento: veja-se as restrições no acesso à adopção e à
reprodução assistida, sob o argumento do princípio do bem-estar da
criança, sendo que muitas vezes as condições exigidas jamais seriam
satisfeitas pelas famílias que geram crianças sem recorrer a estes meios. Já
quando uma mãe sozinha, ou um pai celibatário, ou até um casal do mesmo
sexo opta pela adopção, está-se em geral consciente da ausência de um dos
sexos nesta composição.
Quase todos os estudos nesta área referem
não ser difícil, na maioria dos casos, situar o sexo ausente uma vez que a
criança nasce de um casal heterossexual e é posteriormente adoptada por
esta ou aquela pessoa, ou pelo casal do mesmo sexo.
Por outro lado, no caso dos filhos
resultantes de inseminação artificial esta
questão torna-se mais difícil de resolver.
O envolvimento de mais do que duas pessoas no processo de concepção
dificulta a nomeação de cada um dos pais e privilegia um em detrimento
do outro dos membros do casal.
Sejam quais forem os termos usados, a
dificuldade em classificar os parentes
parece residir mais na forma como se
explicam as relações familiares em causa.
O termo escolhido deverá evidenciar a
existência de uma relação de tipo familiar e a posição da pessoa face a
quem a nomeia. Como diz ainda Anne Cadoret (2000): A família sempre foi
uma montagem.
Tanto
para as famílias homossexuais quanto para as famílias heterossexuais
trata-se de fazer a ‘bricolage’ da família a partir de diversos argumentos
de parentesco: o biológico, o social, o afectivo, o jurídico, o cultural,
o histórico. Mas as famílias homossexuais fazem cair a nossa ilusão de um
“parentesco natural”, de uma adequação do parentesco biológico ao
parentesco social.
(Cadoret, 2000: 173 – Tradução minha)
Para além disso, estas famílias, ao
reproduzir-se poderão estar a reproduzir o
desajuste: que será dos filhos que crescem
nestas famílias? Que homens e que mulheres serão?
Que famílias irão eles construir? Nos
anos 80, nos Estados Unidos da América, os estudos sobre filhos de casais
do mesmo sexo evidenciavam a necessidade de contrariar os argumentos
homofóbicos e sublinhavam a existência de poucas diferenças entre as
crianças educadas numa família homossexual face às que cresciam numa
família heterossexual, e era até recorrente a indicação de que na sua
grande maioria estas crianças na idade adulta tendiam para a heterossexualidade,
como se isso fosse sinónimo de uma educação eficaz.
As descobertas iam ao encontro dos
receios da maioria heterossexual e homo-hesitante, e uma vez que esses
receios se prendem normalmente com a hipótese de estas crianças
apresentarem inconformidades de género, se as raparigas crescessem mais
arrapazadas e os rapazes efeminados, tal seria motivo para preocupação.
Em 2001, os sociólogos americanos Judith
Stacey e Timothy J. Biblarz, reexaminaram os dados utilizados nos estudos
sobre os filhos das famílias do mesmo sexo, efectuados entre 1981 e 1998,
e concluíram que contrariamente ao que antes havia sido divulgado, estes
filhos apresentavam algumas diferenças relativamente aos seus congéneres
de famílias heterossexuais.
A interpretação feita por estes
autores sugere uma maior tendência dos filhos com pais do mesmo sexo para
desafiar as ideias relativas aos papéis de género e à sexualidade.
Ao mesmo tempo que se mostravam mais
abertos, por exemplo, ao igual desempenho de funções normalmente
associadas a um dos sexos, também se revelavam mais abertos à aceitação das
relações homossexuais, sem que isso fosse, no entanto, sinónimo de uma
sexualidade mal resolvida – tanto para a homossexualidade quanto para a
heterossexualidade.
No seu estudo, sobre filhos de casais do
mesmo sexo, actualmente entre os 20 e os 30 anos, Abigail Garner verifica
que por vezes estes filhos apresentam personalidades em cujas distinções
de género são menos óbvias e em que os papéis são mais indistintos – um
aspecto que os conservadores tomam como evidência de uma falha no desenvolvimento
das crianças, mas que os próprios consideram, em geral, ser uma mais valia, na
medida em que lhes confere uma liberdade maior de comportamento ao poderem
expressar livremente traços mais efeminados ou masculinos e ao
serem abertamente afectuosos com alguém do mesmo sexo sem que isso os faça
sentir esquisitos ou inseguros em relação à sua própria sexualidade.
Entre os jovens adultos com quem
trabalhou, Garner percebeu como muitos deles têm uma clara noção de que a sua
identidade de género escapa, por vezes, à rigidez dos padrões e não se
coaduna exactamente com o que é ser homem e mulher, mas longe de
considerarem isso uma falha no seu desenvolvimento pessoal, acreditam que
tal os valoriza no seu relacionamento com os outros e lhes dá uma maior
abertura e capacidade de tolerância –
conclusão, aliás, a que têm chegado quase
todos os estudos nesta área.
E se os próprios se sentem bem, e
integrados, e resolvidos na sua sexualidade,
por que motivo se teme tanto pelo
desenvolvimento destas crianças? Porque é que se diz ser no seu superior
interesse que se impede a adopção por casais do mesmo sexo?
Como é que se poderá viver com uma
realidade familiar que parece não ensinar a distinguir, com as suas
próprias referências, o lugar dos homens e das mulheres na sociedade e na família?
E quando é que o “problema” das famílias homoparentais passa a ser o “problema”
da família? Acima de tudo, o que a homoparentalidade evidencia é a possibilidade
de se formar e viver a família de um modo não alicerçado nas categorias de
género que na sociedade Ocidental estiveram sempre na base da sua
formação, justificando (e justificadas por) o seu carácter natural. Para
melhor se perceber a homoparentalidade é pois fundamental desmontar este
conceito de família assente numa forte distinção de género e a partir daí
perceber se ainda sobram motivos para que se receie a sua proliferação.
M | Ribeiro Henriques
“Há ideias e factos, que são portadores de futuro”
|Coimbra, 21/04/2012|
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Decidir
Mafalda é jovem e nunca foi muito
ligada à prevenção de infeções sexualmente transmissíveis porque apesar de ter
tido vários parceiros sexuais, eram todos rapazes conscientes e bem formados,
pessoas aparentemente salubres e cuidadas que acima de tudo eram inteligentes
na hora da escolha das pessoas com que se envolviam.
Contudo há um ano conheceu o João
e desta vez foi diferente, não foi apenas o sexo que os uniu, ele era muito
mais que isso e a cumplicidade instalada levou a que a relação tivesse outro
significado. A vontade que a Mafalda tinha de se divertir, passou a pó, queria
ser feliz e construir uma família tão boa ou melhor que aquela onde cresceu.
Já de coração cheio, chegou uma
notícia inesperada mas previsível, ela tinha gravidado. Com esta notícia e no
decorrer do rastreio necessário, também chegou outra novidade, o HIV também
veio para ficar.
O João, pai da criança, ficou
confuso e sem saber o que pensar, a felicidade da mais recente notícia depressa
ficou reduzida a pavor. O João quando conheceu a Mafalda, estava no fim de uma
relação com o Tiago e antes da relação com ela se cimentar, ainda cedeu algumas
vezes à insistência do Tiago em terem relações sexuais que não passaram disso,
relações sexuais por uma relação já inexistente.
Entretanto hoje o Tiago já
ultrapassou em parte a perda do João e está a tentar ser feliz com o Mário que,
apesar dele não saber, apenas se quer divertir, para ele não é possível sequer
imaginar-se a fazer uma vida a dois com um rapaz e por isso mantém um casamento
com a Rita.
Vive insatisfeito mas acha que se
sente seguro assim, como se mantendo o casamento pudesse acreditar que é
heterossexual e que apenas tem sexo com homens por diversão.
E a Rita? A Rita passa muitas
noites só e vai sorrindo cada vez que o Mário inventa uma desculpa para não
atender o telemóvel à sua frente, cada vez que inventa uma desculpa para chegar
tarde ou não querer fazer amor.
A Rita que é uma pessoa insegura, vai tolerando porque acaba por ter medo da verdade que o pai das suas filhas, sofia e a Elsa, esconde.
A Rita que é uma pessoa insegura, vai tolerando porque acaba por ter medo da verdade que o pai das suas filhas, sofia e a Elsa, esconde.
A Sofia é a mais próxima da mãe,
fazem compras juntas, partilham alguns dos seus medos, as suas alegrias e até
partilham a lâmina na depilação como aconteceu hoje pela manhã. Há que ter uma
boa imagem, hoje é sexta feira.
A Sofia é linda e está agora na
idade de sair à noite sozinha, conhecer os seus primeiros amores. Hoje por
exemplo vai sair à noite e quem sabe ter a sua primeira aventura sexual com um
grande sortudo ou sortuda.
O Tiago usou sempre preservativo durante a relação que teve com o João que o acusava por isso de falta de confiança e na última vez, no desespero que o Tiago tinha em perder para sempre quem amava, conseguiu que o João ficasse com ele mais uma vez mostrando que afinal confiava.
O Tiago usou sempre preservativo durante a relação que teve com o João que o acusava por isso de falta de confiança e na última vez, no desespero que o Tiago tinha em perder para sempre quem amava, conseguiu que o João ficasse com ele mais uma vez mostrando que afinal confiava.
O Mário nunca usou porque até
hoje nunca teve problemas. A Rita das poucas vezes que tem sexo com o Mário
fica tão feliz que não imagina sequer que aquele momento especial que a faz
acreditar que as coisas vão melhorar possa ter algo de mau e a Sofia não sei,
talvez se vá divertir como a Mafalda, talvez seja cautelosa como o Tiago foi
por muito tempo, talvez nem precise decidir isso hoje, mas uma coisa é certa,
não interessa de onde o bicho veio e onde vai parar, interessa que passe ao
lado porque irá sempre tentar voltar sob a capa de muita e diversa gente.
Importa apenas é que passe ao
lado tantas vezes quanto possível e que não pensemos que vivemos numa bolha
onde as nossas boas e más decisões só nos afetam a nós, porque há mais mundo.
M | Ribeiro Henriques
“Há ideias e factos, que são portadores de futuro”
|Coimbra, 18/04/2012|
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Pais que revelem orientação sexual ao filhos devem fazê-lo sem dogmas
“(…) Os pais que
desejem revelar a sua homossexualidade aos filhos devem fazê-lo sem dogmas,
aconselha um psicólogo, que acredita ser mais difícil saber que um dos pais é
homossexual do que viver com dois pais ou duas mães.
Psicólogo,
terapeuta familiar e especialista em questões de género, Pedro Frazão não tem
dúvidas em afirmar que cada vez mais vão surgir casos de pais que revelam a sua
homossexualidade aos filhos.
“A
homossexualidade sempre existiu. É importante que as pessoas percebam que não
se trata de uma invenção da modernidade e estas são situações que vão acontecer
mais porque há uma abertura muito maior do ponto de vista social em Portugal,
sobretudo nos últimos 20 anos”, explicou Pedro Frazão numa entrevista
à agência Lusa.
Maria (nome
fictício) foi casada durante vários anos e teve uma menina e um rapaz desse
relacionamento. Ainda estava casada quando teve “uma relação muito próxima com
uma colega de trabalho” e se questionou, pela primeira vez, sobre a sua
orientação sexual.
Garante que não
foi isso que ditou o fim do seu casamento e que a relação terminou por si
própria. Quando se divorciou a filha tinha quatro anos e o filho dez e a
primeira relação homossexual aconteceu cerca de um ano depois. “No início tive
bastante medo e chegou a passar-me pela cabeça que os meus filhos quando
soubessem iam contar ao pai e ele iria querer ficar com eles porque acharia que
os filhos não deveriam ter uma mãe homossexual. Também me passou pela cabeça
esconder a relação até eles serem maiores, mas isso era um longo caminho.
Depois fui-me acalmando”, contou Maria à Lusa.
Até aos 28 anos,
Paulo (nome fictício) nunca assumiu que era homossexual, apesar de sempre ter
sabido que essa era a sua orientação sexual. Viveu com uma namorada durante
cinco ou seis anos, têm uma filha e é quando a relação acaba – “mais por ela” –
que Paulo ganhou coragem para se assumir. A ex-companheira acompanha a “saída
do armário” e apoia-o. Depois chegou a altura de contar à filha que alguns dos
amigos do pai não eram só amigos e que às vezes também eram namorados. “A
escola primária não era uma boa altura porque ela depois poderia confidenciar
aos colegas e estes gozarem com ela”, explicou Paulo. A revelação acabou por
acontecer durante as férias de Verão, o ano passado.
“Já não sei como é
que veio a conversa, mas já lhe tinha dito que tinha uma coisa especial para
lhe contar e logo na primeira noite fomos fazer uma caminhada na praia e
contei-lhe fazendo uma comparação com alguma coisa que ela percebesse”, contou.
A comparação meteu ervilhas pelo meio. Paulo admite que não terá sido “das
comparações mais felizes”, mas olhando para trás tem consciência que não há
fórmulas ideais. “Disse-lhe que se calhar não gostamos muito de ervilhas, por
exemplo. Comemos uma vez, uma segunda e vamos comendo até que às tantas já não
conseguimos comer mais ervilhas e relacionei isso com o que se passou comigo”,
adiantou Paulo.
Maria optou por
não falar com os dois filhos ao mesmo tempo. Na altura, a filha ia entrar para
a escola primária e entendeu que era ainda muito pequena para compreender.
“Resolvi falar com o meu filho mais velho e disse-lhe: Aquela amiga da mãe de
quem tu tanto gostas e que achaste bem vir viver connosco, não é só amiga e
tenho um sentimento por ela que é mais do que amizade, é como eu senti pelo teu
pai na altura em que casei e tu e a tua irmã nasceram. Neste momento ela é
minha namorada”, contou.
O psicólogo Pedro
Frazão aconselha aos pais a terem uma atitude de abertura, “sem grandes
dogmas”, na altura de contarem aos filhos que a sua orientação sexual é
diferente daquela que eles pensavam e lembra que “são as bases da relação
daquelas pessoas, que já existia anteriormente, que determinam como é que as
coisas vão correr”.
“Deve-se adaptar a
linguagem consoante a idade das pessoas porque é diferente contar a uma criança
ou contar a um adulto ou a um adolescente”, explicou, acrescentando que as
reacções podem ser as mais diversas. Para a filha de Paulo, por exemplo, a
revelação resultou num misto de surpresa: primeiro de choque e depois num “bombardeamento”
de todo o tipo de perguntas.
O filho mais velho
de Maria disse imediatamente à mãe que desde que ela estivesse feliz, ele
também estava, enquanto a irmã disse que não gostava de ser a única criança com
duas mães.
Pedro Frazão
lembrou que os pais têm de ter a noção que da mesma maneira que eles demoraram
muitos anos até lidarem com a sua orientação sexual e assumirem para si essa
realidade, “as pessoas a quem contam também vão precisar de tempo para absorver
a nova informação e começar a ver essa nova realidade”.
Na opinião do
psicólogo, é mais difícil para alguém que durante toda a vida conheceu os pais
como heterossexuais ter de reformular essa informação do que uma criança que
tem dois pais ou duas mães e que desde sempre conheceu aquele modelo.
“À semelhança da
pessoa que revela a sua orientação sexual, estas pessoas têm que lidar com a
ideia de terem um pai que é gay ou uma mãe que é lésbica e de terem de escolher
se vivem isso de uma forma silenciosa ou se partilham isso com as pessoas que
conhecem”, sublinhou.
Acrescentou que
esta é uma informação que obriga a uma reformulação da imagem que se tem dos
pais, mas que não é muito diferente de um filho achar que os pais têm um
casamento feliz e depois perceber que isso não era verdade.
“Aqui é o mesmo,
só que a questão é muito mais estigmatizada”, considerou. Maria e Paulo não se
arrependem de ter contado e garantem ter uma relação de maior abertura e de
cumplicidade com os respetivos filhos. Agora, o medo é outro, que os filhos se
venham a magoar por causa da orientação sexual dos pais (…)”.
in:
M | Ribeiro Henriques
“Há ideias e factos, que são portadores de futuro”
|Coimbra, 05/04/2012|sábado, 10 de março de 2012
“Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”. (João 8:36)

Parece que só passamos a apreciar
a liberdade quando por algum motivo, de alguma forma, nos sentimos privados
dela. Aliás, apenas a consciência que se percebeu cativa, impedida,
encarcerada, por algo ou alguém, é que almeja intensamente por enfim, sentir-se
livre.
Creio que a ideia do cárcere
amedronta e apavora todos os seres, humanos ou não? Desde o pássaro que um dia
foi livre, mas caiu na armadilha, e chora com seu canto, dentro da gaiola. Já
perceberam como é tristonho o olhar dos animais que habitam em jardins
zoológicos? E esse mesmo canto incompreensível de lamento, esse olhar
tristonho, que encontramos todos os dias, em todos os lugares, muitas vezes
diante do nosso espelho.
Não é preciso estar encarcerado
numa prisão para sentir-se preso. Possuímos cadeias invisíveis aos olhos, porém
igualmente intransponíveis. Afinal, que liberdade possui alguém que depende de
algum tipo de entrave para conseguir sorrir?
E o que dizer dos alcoólicos, dos
viciados em pornografia, dos que roubam, e dos que matam, dos que violam ou dos
que batem em mulheres? Ou mesmo daqueles que vivem esmagados pelo peso da culpa
pela prática homossexual? Seriam realmente livres, aqueles que tendo que
subornar outros, obtêm vantagens? Seriam realmente livres quem, vaidosamente,
existe para corresponder aos padrões estéticos que os mídia convencionou chamar
de “belo” ou “normal”?
Seriam livres aqueles que mesmo em meio a uma
multidão, sentem-se solitariamente reclusos em si mesmo, não tendo com quem
compartilhar as suas dores, alegrias, derrotas ou desafios?
Será a religião capaz de produzir
indivíduos livres? Quando olho em minha volta, ou quando observo a minha
própria vida, forçosamente respondo que não. A religião, decididamente, não faz
indivíduos livres. Pode, no máximo, nos tornar pessoas “aceitáveis” dentro da
ótica de gueto cultural e comportamental bem característicos dos clubinhos
religiosos, e mais especificamente refiro-me aos católicos apostolicísticos
romanos, (aos qual pertenço, e conheço bem!).
Aderimos a uma visão corporativa e marketisada
passamos a utilizar uma estrutura do tipo “igreja-empresa”, para não só
conquistar o “cliente”, mas também torná-lo fiel.
Em muitos templos e denominações,
a bênção já não é obtida como um favor gracioso de Deus, mas sim como o
resultado produzido pela obediência irrestrita às estratégias, dogmas, e
práticas ensinadas pelos seus líderes. A religião vicia, e conduz a uma
intermediação por ela oferecida, que lhe garante um privilegiada e confortável
situação de proximidade ao Deus por ela oferecido.
Mas, e quanto a Jesus? Esse sim é
ao mesmo tempo livre e libertador. Podemos observar na leitura
dos Evangelhos seu ânimo absolutamente livre, fazendo escolhas e quebrando
paradigmas a todo instante, rompendo com tradições humanas inúteis ou
mal-compreendidas, tratando com dignidade, amor e especial zelo, os indivíduos
marginalizados do seu tempo.
Escolheu pescadores, mulheres,
cobradores de impostos, para serem seus discípulos, tocou, ergueu, curou,
alimentou, libertou consciências, conforme profetizado por Isaias e até
reafirmado por Ele mesmo em Lc 4.19-30. A ninguém ele, de alguma forma
aprisionou... Ensinou de forma prática o significado do verbo amar, e mais,
disse que os seus seguidores seriam conhecidos por essa mesma característica: o
Amor.
Jesus não trouxe uma nova
religião, mas sim uma nova ética para a humanidade, propôs uma mudança a partir
de cada indivíduo, mudança esta, e valores estes, que ele chamou de Reino
de Deus !
Mas qual é a liberdade que Jesus
prometeu? Liberdade, em Jesus, é poder realizar de facto escolhas, livre de
vícios, imposições, inclinações patológicas, é não ter que ser o que os outros
nos impõem que sejamos, mas sim que nós podemos tornar o melhor de nós mesmos.
Que potencialize nossas virtudes,
que sejamos capazes de nos surpreender com o poder da bondade e da misericórdia
aplicados ao nosso próximo.
Em Cristo, a liberdade é um
convite para que nós, em parceria com Deus, possamos reescrever a nossa
história, melhorando a nossa vida e também a daqueles que estão ao nosso redor.
E no final dos nossos dias, ao
olharmos no espelho da nossa consciência, veremos o quão parecidos com Ele nos
tornamos, pois, será que à semelhança de Jesus, teremos aprendido o real
sentido de ser livres?
M | Ribeiro Henriques
“Há ideias e factos, que são portadores de futuro”
|Coimbra, 10/03/2012|
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Amanha os meus meninos vão ter Historia, desta feita preparei uma actividade bem gira com a obra de Max Velthuijs, - "O SAPO APAIXONADO"
... Só vos digo que isto promete, e por certo vai aquecer os nossos corações com alguns dos melhores valores a festejar neste dia ;
- Amizade - Fraternidade - Amor - Solidariedade -


domingo, 22 de janeiro de 2012
Há dias assim...
Há dias em que a palavra Pai ganha mais ênfase na vida de um homem. Todos os Pais têm os melhores filhos do mundo, e nenhum se permite vê-los sofrer por nada nem ninguém. Ele, o Pai agarrou toda a força que conseguiu buscar no intimo do seu ser... e obrigou-se a segurar a Filha enquanto estava a ser suturada...no fim contavam-se 8 pontos, e muitas lágrimas de sufoco e ansiedade, a impotência deu lugar ao alivio, ainda que frustrante pela dor que estava a sentir... quiseram gritar de raiva no fim.... Juntos choraram abraçados, ela de alivio e conforto, ele pela dor da alma...era o pedaço de si que ali estava a sofrer... e ele era só o Pai...
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
( Re ) Começar.
Trago
no regresso de férias uma enorme paz de espírito que ansiava há dias. Por vezes
involuntariamente sou contagiado pelo mau estar e deficit de personalidade de
alguns, o que me transtorna, bloqueia, e se andava cansado mais debilitado
fiquei com a desilusão que algumas pessoas trazidas pelo ano velho se
revelaram.
"Amigo
é a minha barriga, e não me ade doer" lá diz a minha mãe, na sua ignorante
sabedoria popular.
Eu cá, continuo acreditar que os há, e que felizmente estou rodeado de muitos, pessoas que em troca de nada, me retribuem atenção e apoio. Para os quais vão os meus mais sinceros agradecimentos por existirem na minha vida.
No último post de 2011, houve ainda tempo para lembrar todos os que me são próximos e por alguma razão se encontraram comigo, quer tenha sido nos projectos profissionais, os meus colaboradores, minha editora, e todos os que me deram tanto apoio na criação e crescimento do Instituto Sorriso Maior, e ainda os que por alguma razão chegaram até mim e me ajudaram a ser como sou hoje...
Juntos
crescemos em 2011, e só em conjunto continuaremos a SER GRANDES, Todos !
A todos, e a cada um individualmente, guardo-os no coração,
Reforçado, e de baterias carregadas há que mandar vir em grande o novo ano, e que em 2012 consiga consolidar os objectivos, profissionais e pessoais que agora deixo iniciados com o ano venho, e que isso seja o reflexo do crescimento individual de todos os que me rodeiam.
A todos, e a cada um individualmente, guardo-os no coração,
Reforçado, e de baterias carregadas há que mandar vir em grande o novo ano, e que em 2012 consiga consolidar os objectivos, profissionais e pessoais que agora deixo iniciados com o ano venho, e que isso seja o reflexo do crescimento individual de todos os que me rodeiam.
Hoje o meu Ano
começou em grande, é domingo, o 1º do ano, e já estou a trabalhar, não só,
estou a trabalhar no meu projecto profissional que é já incondicional na minha
vida, o plano de actividades está pronto, e é só novidades boas no ar!
Que sejam todos
os nossos dias assim, é o meu desejo... Bom Trabalho a todos em 2012
M | Ribeiro Henriques
“Há ideias e factos, que são portadores de futuro”
|Coimbra, 02/01/2012|
domingo, 25 de dezembro de 2011
Procriação Machistamente Assistida
Até há poucos anos
muitas portuguesas tinham de viajar ate Espanha para porem termo a uma gravidez
indesejada. Felizmente já o podem fazer em Portugal. Mas hoje, muitas – as que
para isso têm posses – têm de se deslocar a Espanha para conceberem uma criança
desejada.
Naquele país é
possível, desde 1988 (há mais de 20 anos, portanto), o acesso a procriação
medicamente assistida por parte de qualquer mulher, incluindo naturalmente as
lésbicas, e sem ser apenas por razões de infertilidade. Em Portugal, a lei da
Procriação Medicamente Assistida tem restrições que, no fundo, dizem que as
mulheres são seres inferiores e incapazes.
Para a nossa lei,
elas necessitam da tutela do homem com quem vivam ou com quem estejam casadas
para acederem a PMA. E precisam de ter problemas de infertilidade. Ficam de
fora as mulheres que queiram prosseguir projetos de maternidade sem relação com
um homem – e sem relações com um homem, o que abrange tanto heterossexuais como
lésbicas.
Ficam também de
fora os casais de lésbicas, em união de facto ou casadas. Não cessa de me
espantar como é que esta situação não foi ainda considerada inconstitucional,
no que tem de menorização das mulheres enquanto pessoas autónomas e cidadãs.
Mas não deveria
espantar-me. O sexismo perdura na nossa sociedade apesar de importantes
transformações legislativas. E se o conjunto das mulheres continua a ser alvo
de toda a espécie de discriminações, a situação agrava-se no caso das lésbicas:
ao sexismo acresce a homofobia, a qual também perdura apesar dos avanços
legislativas.
Quando olhamos
para as propostas de alteração da lei da PMA que tem vindo a lume – do BE ou do
PS – e para o incipiente debate público em torno da matéria, vemos que falham
sempre nalgum ponto. Ora restringem o acesso a PMA à ideia de tratamento da
infertilidade, ora excluem as lésbicas, ora não consideram a possibilidade da
presunção da maternidade ou da perfilhação pela mulher unida de facto ou casada
com a que recorre A PMA.
Em suma, a figura
da lésbica é o elefante na loja de porcelana. Uma loja com donos
preconceituosos – em relação às mulheres, e mais ainda em relação às lésbicas.
Que o enquadramento familiar das crianças seja usado como o “argumento” para as
restrições é apenas mais um caso da perversidade do pensamento conservador,
face a toda a prova científica sobre o predomínio da qualidade das relações de
parentalidade sobre a estrutura dos agregados familiares.
É o argumento
simétrico – e como é patético que ele seja usado por tanta gente de esquerda… –
do que era usado pelo opositores da despenalização do aborto.
Uma alteração
coerente da lei da PMA deverá garantir o acesso a todas as mulheres adultas e
em bom estado de saúde física e mental. A infertilidade não pode ser a única
justificação, pois isso implica quer a imposição moral da superioridade da
procriação conjugal, quer da heterossexualidade.
Posso ser
“radical”? É como se o Estado estivesse a violar simbolicamente as mulheres
heterossexuais sem companheiro, e as lésbicas, dizendo-lhes: “Querem filhos?
Arranjem um homem, mesmo que não queiram ter sexo com ele, mesmo que ter sexo
com homens seja uma violação da vossa identidade mais profunda como pessoas”.
Uma alteração da
lei da PMA deverá também levar a sério (mas como pode alguém imaginar – e
propor – algo de diferente?!) o reconhecimento das uniões de facto e casamentos
entre mulheres, garantindo a presunção da maternidade à segunda mãe, como já o
faz para os pais sem qualquer lago biológico.
Note-se (como é
referido num comunicado
da ILGA, cujo conteúdo subscrevo inteiramente) que, depois
da aprovação da lei que definiu as regras para a alteração do registo de nome e
sexo pelas pessoas transgénero, Portugal até já admite o reconhecimento de duas
mães ou dois pais legais.
Não há nenhuma
razão que impeça uma lei da PMA que garanta tudo isto. Porque a exclusão de
qualquer um destes pontos não é explicável a não ser, em última instância, pelo
preconceito – pelo sexismo e pela homofobia. No nosso país vivemos corn leis
esfrangalhadas, pontuais, parcelares, porque não somos capazes de assumir o
princípio da igualdade como base a partir da qual decidir.
Resultado? Casais
de gays e de lésbicas que não podem adotar enquanto casal; segundos pais e
segundas mães que não podem co-adotar ou perfilhar, ao contrário dos
heterossexuais, nem verem a sua paternidade ou maternidade presumidas (de novo:
ao contrário dos heterossexuais) criando assim problemas para as suas crianças;
ou lésbicas que não podem aceder à PMA, ainda que tenham a sua união de facto
ou casamento reconhecidos como iguais aos dos heterossexuais.
Não se trata
“apenas” de lutar contra a discriminação, de garantir igualdade de
oportunidades, ou de defender os direitos humanos. Trata-se de cumprir a
democracia e o princípio constitucional e civilizacional da igualdade. Isto só
é difícil de perceber e levar a sério por cabeças, à direita e à esquerda, que
desprezam o bem-estar das crianças (no plural, as crianças concretas e
existentes) no exato momento em que falam do seu supremo interesse (no
singular, “criança” abstrata).
Por que o fazem?
Não consigo honestamente encontrar outra resposta que não seja o preconceito
sexista e homofóbico. E quando os dois se juntam, são as lésbicas as mais
excluidas da cidadania. É na exclusão das lésbicas que se situam todos os
esforços do malabarismo legislativo deste país em crise não só financeira e
económica mas tambem democrática. Pareço ouvir algumas das acima referidas
“cabeças” ao congeminarem os pormenores das alterações á lei: “Eh, pá, isso
não, que se abre a porta às lésbicas”. Pois…
M | Ribeiro Henriques
“Há ideias e factos, que são portadores de futuro”
|Coimbra, 25/12/2011|
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